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Professor Mário Pedrazzoli participa do Cronopolis, rede latino-americana sobre cronobiologia e políticas públicas
Postado em 21 de September de 2026
Rede latino-americana reúne 32 pesquisadores de cinco países e conta com a participação do professor Mario Pedrazzoli, da EACH-USP
A maneira como a sociedade organiza seus horários influencia diretamente a saúde, a educação, o trabalho e a qualidade de vida da população. Partindo dessa perspectiva, um grupo interdisciplinar de pesquisadores latino-americanos criou o Cronopolis – Rede de Cronobiologia e Políticas Públicas do Tempo e da Saúde, iniciativa que busca aproximar o conhecimento científico da formulação de políticas públicas.
A plataforma reúne atualmente 32 pesquisadores do Brasil, Argentina, Uruguai, México e Colômbia, vinculados a mais de 15 universidades e instituições científicas e de saúde. Entre elas estão a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidad de San Andrés, na Argentina, e outras instituições latino-americanas.
A Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP participa da rede por meio do professor Mario Pedrazzoli Neto, reconhecido pesquisador nas áreas de sono, cronobiologia, ritmos circadianos e organização temporal da sociedade. Livre-docente da EACH, Pedrazzoli desenvolve pesquisas relacionadas à genética dos ritmos circadianos, à fisiologia do sono normal e patológico e às relações entre sono, cultura e desenvolvimento tecnológico.
O tempo como uma questão de saúde pública
A cronobiologia estuda os ritmos biológicos e sua relação com os ciclos ambientais e sociais. Horários de trabalho, turnos noturnos, início das aulas, exposição à luz, uso de dispositivos eletrônicos, mobilidade urbana e mudanças sazonais podem interferir no funcionamento do relógio biológico e nos períodos destinados ao sono e à recuperação do organismo.
Quando os horários impostos pela sociedade entram em conflito com as necessidades biológicas dos indivíduos, podem surgir consequências para a saúde física e mental, para o aprendizado e para o desempenho profissional. Crianças e adolescentes submetidos a jornadas que começam muito cedo, trabalhadores noturnos e pessoas que enfrentam escalas irregulares estão entre os grupos particularmente afetados por esse desalinhamento.
O problema ultrapassa, portanto, as escolhas individuais. A organização do tempo também envolve decisões coletivas e políticas relacionadas à educação, ao trabalho, ao planejamento das cidades, à saúde pública e ao meio ambiente.
É justamente nesse ponto que atua o Cronopolis. A rede produz, reúne, sintetiza e traduz evidências científicas para que o conhecimento desenvolvido nas universidades possa subsidiar decisões governamentais e ações de interesse público. O objetivo é incorporar a cronobiologia e a organização temporal da sociedade às agendas públicas, contribuindo para políticas mais saudáveis, equitativas e sustentáveis.
Atuação interdisciplinar e latino-americana
A composição do grupo reflete a amplitude do tema. A rede reúne especialistas em cronobiologia, sono, saúde pública, neurociências, fisiologia, educação, psicologia, medicina, arquitetura, iluminação, saúde do trabalhador, epidemiologia, biodiversidade e mudanças climáticas.
Essa diversidade permite analisar de forma integrada questões como horários escolares, trabalho em turnos, exposição à luz durante a noite, saúde mental, desempenho cognitivo, alterações metabólicas e desigualdades no acesso a condições adequadas de descanso.
Ao articular pesquisadores de diferentes áreas e países, o Cronopolis pretende fortalecer a cooperação científica latino-americana e ampliar a presença das chamadas políticas públicas do tempo nos debates institucionais. A proposta é fazer com que decisões sobre horários e rotinas sociais também considerem as evidências científicas sobre o funcionamento do organismo humano.
A participação do professor Mario Pedrazzoli reforça a contribuição da EACH-USP para um campo de pesquisa com impacto direto na vida cotidiana. Ao aproximar ciência e gestão pública, a iniciativa demonstra que respeitar os ritmos biológicos não é apenas uma questão individual, mas uma condição importante para construir ambientes de trabalho, escolas e cidades mais saudáveis.
Mais informações e a relação completa de integrantes estão disponíveis na página oficial do Cronopolis.
