Curso de Obstetrícia apresenta trabalhos científicos em evento de universidade do Equador

Postado em 10 de junho de 2021

Os estudantes da graduação de Obstetrícia, Jadson Marques Dantas e Carolina Bezerra Coe, ambos orientandos da professora Dora Mariela Salcedo Barrientos, apresentaram na semana passada o trabalho de pesquisa “Valorizando os conhecimentos tradicionais sobre parteria: Uma contribuição para a formação universitária latinoamericana”. A apresentação ocorreu na II Convención Científica Internacional – 2021 da Universidad Estatal Amazónica, da cidade de Puyo, província de Pastaza, no Equador.

O evento ocorreu virtualmente entre 31 de maio a 4 de junho e contou com uma excelente programação científica, na qual foram desenvolvidos o I Congresso de Plurinacionalidade, Conhecimento Ancestral e Gestão do Conhecimento; I Congresso de Turismo Urbano, Patrimônio e Desenvolvimento Territorial; I Congresso de Gestão Ambiental e Conservação da Biodiversidade. A realização dessa convenção científica teve como objetivo o fortalecimento das atividades científicas e culturais para o desenvolvimento sustentável de povos e nacionalidades.

A apresentação dos alunos eachianos, futuros obstetrizes, teve uma dose extra de emoção e reconhecimento dos saberes ancestrais das parteiras tradicionais. A produção científica teve como autores Jadson Marques Dantas, Carolina Bezerra Coe, Vitória Gabriela Picolo, Cintia Magalhães Neia, Michele Barros de Souza Simões e Nathalya Tavares dos Santos, sob a orientação da docente Dora Mariela Salcedo Barrientos, líder do grupo de pesquisa “Mulher & Saúde: Violência doméstica no período gravídico puerperal/CNPq”.

Os alunos tiveram 30 minutos para apresentar a análise do documentário “A Parteira” (2018) da diretora Catarina Doolan Fernandes. O material audiovisual apresenta a história de Donana que com seu carisma e bom humor cativa o espectador a conhecer melhor sua realidade como mulher, mãe, parteira, mãe de santo, curandeira e representante das parteiras de São Gonçalo do Amarantes, no Rio Grande do Norte.

O objetivo do trabalho foi resgatar, valorizar e analisar os saberes da parteria tradicional por meio do documentário “A Parteira” a partir de uma perspectiva da epidemiologia social ou crítica. Para tanto, foi realizada uma análise de discurso em que foram consideradas as seguintes categorias: ser parteira, saber tradicional e ser mulher. O trabalho faz um resgate histórico da assistência obstétrica desde antes da medicalização do parto. Segundo os graduandos é importante entender essa historicidade para então poder compreender a realidade do cenário obstétrico atual.

Neste mesmo evento também aconteceu a apresentação da conferência “Experiência Universitária no Brasil: um reencontro com os saberes ancestrales”, proferida pela professora Dora Mariela Salcedo Barrientos. A professora abordou reflexões realizadas a partir de uma pesquisa que vem sendo realizada pelo seu grupo de pesquisa “Saúde perinatal em imigrantes grávidas: compreendendo e intervindo no contexto familiar”.

De acordo com Dora Mariela, a obstetrícia que conhecemos hoje não existiria se não fosse o conhecimento ancestral das parteiras tradicionais, que ao longo de toda a história da humanidade ajudaram tantas mulheres durante a gestação, no parto e pós parto. A obstetrícia contemporânea se apoia nos ombros desses saberes tradicionais, no entanto, com a medicalização do parto, muitos desses conhecimentos e práticas foram marginalizadas e até mesmo ridicularizadas. E foi justamente pela necessidade, por parte desse grupo de alunos, de reconhecer e integrar esses saberes na formação de obstetrícia que este trabalho nasceu. Assim também, abrem-se novos caminhos para também conhecer a realidade de outros países latino-americanos e com esta mesma expectativa possibilitando inclusive a assinatura de novos acordos de cooperação e convênios acadêmicos para abordar esta temática.

 

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*Com informações da professora Dora Mariela Salcedo Barrientos