Cursos da USP: as 20 faces da Gestão de Políticas Públicas

Postado em 10 de outubro de 2017

Muito além dos concursos públicos, as possibilidades de atuação no mercado de trabalho para quem se gradua em Gestão de Políticas Públicas são pelo menos 20. Esta não é uma simples estimativa, mas o resultado de um levantamento feito pelo Laboratório de Gestão Governamental (Lab.Gov). Confira o resultado aqui.

Entre os segmentos em que os egressos do curso estão atuando estão cargos de livre-provimento no Poder Executivo (que não demandam concurso público como forma de ingresso) e trabalhos em organizações internacionais, partidos políticos, organizações não governamentais, entidades paraestatais e empresas privadas que possuem órgãos públicos como clientes.

Professor Fernando Coelho – Foto: Arquivo Pessoal

“Na medida em que se mudou a compreensão do que é gestão pública para além do Estado, o mercado de trabalho se ampliou e se diversificou”, diz o professor Fernando Coelho, que se dedica a estudar essa área de ensino no Brasil e é um dos coordenadores do Lab.Gov. Coelho explica que, em 1995, existiam dez cursos voltados para a administração pública no país. Hoje, são 200.

A expansão dos cursos é reflexo desse entendimento mais amplo do conceito de “público”, um setor que inclui não só a gestão governamental, como mostra o levantamento, mas também a relação dele com organizações do terceiro setor e da iniciativa privada — que passam a trabalhar com serviços públicos por meio de concessões e parcerias.

O professor também atenta para as oportunidades de trabalho em prefeituras de pequeno porte, pensando a gestão pública para além dos órgãos federais. “Queremos mostrar que esse é um caminho interessante pela capacidade de fazer a diferença e ter acesso a processos decisórios nesses locais”, afirma.

Graduação

A graduação em Gestão de Políticas Públicas foi inaugurada em 2005 junto com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), no campus na zona leste de São Paulo. O curso está inserido no Campo de Públicas, uma grande área que engloba cursos como o de Administração Pública.

Esse é um bacharelado multidisciplinar: a graduação se concentra não apenas na Administração, como também na Ciência Política, além de apresentar conceitos do Direito e da Economia.

“Nosso aluno sai com a capacidade de contribuir não só para as políticas públicas, como também para a organização interna: questões mais ligadas à burocracia, transparência, melhoria dos sistemas e diminuição dos gastos”, aponta o professor Agnaldo Valentin, coordenador do curso.

Essas características atraem líderes de governos que buscam gestores públicos para comporem suas equipes. A prefeitura de Jacareí, por exemplo, vai oferecer bolsas para que alunos da EACH possam realizar trabalhos de conclusão de curso (TCCs) e projetos de pesquisa tendo como foco a administração do município.

O ex-aluno Renato Eliseu decidiu seguir carreira acadêmica – Foto: Arquivo Pessoal

O contato com a prática também é estimulado através das disciplinas de campo, com os projetos Cidade Constitucional, uma imersão em Brasília para conhecer os órgãos administrativos da capital, e Unicidades, em que os alunos visitam municípios para entender a dinâmica do poder local e também propor soluções.

Depois da formatura, muitos alunos seguem com a pós-graduação para se aprofundarem em áreas específicas, seja no próprio programa de mestrado do curso de Gestão de Políticas Públicas ou em outros. “É com muita felicidade que já temos uma ex-aluna que fez doutorado, prestou concurso e agora está substituindo um professor nosso”, diz Valentin.

Quem também optou pela carreira acadêmica foi Renato Eliseu, formado em 2009 na primeira turma do curso. “Um pouco antes do vestibular queria trabalhar com o terceiro setor, mas não conseguia ver muita aplicabilidade na área de ciências sociais”, conta.

Eliseu dá aulas no Senac e na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), locais onde é um dos únicos professores formados na área de Gestão de Políticas Públicas.

“O grande diferencial do curso é que ele abrange várias áreas do conhecimento, possibilita uma visão múltipla para contextos diferentes”, diz Eliseu. Pensando em como a graduação se consolidou nos últimos anos, ele lembra que esse é um setor com grande possibilidade de networking, já que, quando os contratantes gostam do perfil dos alunos, há sempre possibilidade de indicação.

Projeto Cidade Constitucional leva alunos para conhecer órgãos administrativos na capital do País – Foto: Eduardo Coutinho/Wikimedia Commons

Na prática

Formada em 2010, a ex-aluna Isabela Menon teve um intervalo de apenas dois meses entre conseguir o diploma da graduação e ser indicada para um cargo de confiança na Prefeitura de São Paulo. Desde então, ela passou por órgãos como a Secretaria de Assistência Social, a Secretaria de Planejamento e a Coordenadoria de Relações de Trabalho do município.

A ex-aluna Isabela Menon possui cargo de livre-provimento na Prefeitura de São Paulo – Arquivo Pessoal

Hoje, Isabela é diretora no Departamento de Recursos Humanos da Prefeitura, sendo responsável pela gestão interna da equipe de cerca de 90 pessoas e da gestão de recursos humanos dos mais de 200 mil servidores públicos da Prefeitura, somando ativos e aposentados. Parte desse trabalho inclui estar em contato com o gabinete do prefeito para colocar em prática os planos do órgão municipal.

Isabela observa que os gestores públicos possuem uma inserção grande dentro da prefeitura, ainda que nem sempre como servidores concursados. Assim, mesmo com a troca de gestões, costumam continuar nos cargos, já que são valorizados nos quesitos técnicos. “Muitas das coisas que estudei durante a graduação pratico. Sinto que o curso oferece muitos instrumentos para aplicar na prática”, afirma.

A sua trajetória no governo municipal vem dos estágios na graduação, o que possibilitou que ela pudesse ser indicada aos cargos de livre-provimento. “Por ser graduada em Gestão de Políticas Públicas, eu tinha noções de economia, de elaboração de orçamentos e de direito administrativo”, ela conta. “As pessoas que vêm de fora não costumam ter esse conhecimento sobre o funcionamento do governo”, completa.

Empresa júnior

Desde 2016, a empresa júnior ligada ao curso de Gestão de Políticas Públicas reúne alunos de variados semestres para realizar projetos ligados ao primeiro e ao terceiro setor. A entidade recebeu o nome de Vertuno, homenagem ao deus da mitologia greco-romana que está ligado aos processos de transformação e amadurecimento da vida.

Alunos de GPP fizeram sua primeira participação no Projeto Rondon em 2017 – Foto: Projeto Rondon via Facebook

“Nosso portfólio é totalmente criado a partir das disciplinas que temos na graduação. Todos os serviços são baseados nas aulas, e inclusive temos acompanhamento dos professores”, explica Andreza Ruiz, da diretoria de projetos.

Um dos últimos trabalhos da empresa foi mapear, em conjunto com o Lab.Gov, a área de atuação dos egressos do curso. Os membros também estiveram presentes na primeira participação da EACH no Projeto Rondon.

A entidade estudantil tem aumentado cada vez mais a sua participação dentro do curso. “Vejo que o principal impacto de fazer parte da empresa é o desenvolvimento pessoal, muito atrelado ao profissional: ter responsabilidade, lidar com problemas e conhecer o campo de atuação de Públicas, que não é óbvio”, diz Mayara Luiza, diretora de Comunicação e Marketing da Vertuno.

Quer saber mais sobre o curso?

Formas de ingresso

Bacharelado em Gestão de Políticas Públicas

Períodos: Matutino e noturno
Vagas: 120
Vagas via Fuvest: 84
Vagas via Sisu: 36

  • Vestibular organizado pela Fuvest: inscrições encerradas
  • Sisu: as inscrições para seleção de 2018 ainda não foram abertas, mas acompanhe pelo site do MEC ou da Pró-Reitoria de Graduação

 

* Do Jornal da USP

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